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Escrito por Administrator   
Qua, 19 de Maio de 2010 18:31

A CMP do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba constituiu-se, desde sua formação, num canal de articulação dos movimentos populares. Não os substitui, mas apóia e reforça suas lutas específicas, propondo e difundindo a importância de várias questões para o conjunto dos movimentos. Isso é feito a partir de uma concepção política transformadora, que incorpora questões imprescindíveis para a construção de uma sociedade verdadeiramente democrática, inclusiva, justa e fraterna, na qual esteja presente o respeito mútuo entre as pessoas, independentemente de orientação sexual, etnia, gênero. Essa reciprocidade só pode ser efetiva se tivermos como base uma sociedade fundada na igualdade, no cooperativismo, na autogestão e na liberdade de criação cultural.

Os movimentos populares são o instrumento mais eficaz que a sociedade tem para lutar pelos seus interesses frente ao Estado, especificamente quando a participação popular nas decisões é obstruída ou não existe, ou quando os canais criados para isso tornam-se inoperantes, ilegítimos e não representativos. O movimento é a força ou energia que agita e faz fluir os acontecimentos de uma nação. Sem a luta dos movimentos populares, a história do Brasil seria outra.

Sabemos que em muitas administrações públicas – estados e municípios – a participação popular não é bem-vinda, pois os movimentos populares, quando organizados e coesos, têm maior poder de reivindicação, de luta, de protesto. Por isso é que a participação popular politicamente organizada é necessária para a transformação social.

Os primeiros passos para a criação da Central de Movimentos Populares foram dados no início da década de 1990, cujo objetivo era fortalecer as organizações populares, que desde os anos de 1980, ainda quando vivíamos sob a segunda ditadura política que o nosso país conheceu, já demonstravam que a união política entre os movimentos populares é essencial para a construção de uma sociedade menos injusta.  Foi com esse intuito que no começo dos anos 80, havia uma ebulição crescente da sociedade brasileira, principalmente os setores organizados, quanto a possibilidade de redemocratização. A luta, como historicamente tem acontecido, sempre se mostrou árdua, mas não desanimadora.

Central de Movimentos Populares, portanto, é um dos frutos políticos desse período histórico. Sua fundação aconteceu em outubro de 1993, em Belo Horizonte (MG), sendo um desdobramento da Articulação Nacional dos Movimentos Populares e Sindicais – anampos. Dessa entidade, que congregava movimentos populares e sindicais, nasceu a Central de Movimentos Populares, que, apesar de não ter em sua composição sindicatos, entende como essencial a parceria política das organizações sindicais com os movimentos populares, independente da especificidade destes.  

A necessidade da criação de uma central de movimentos populares nasceu a partir do estado de fragmentação em que se encontravam diversos movimentos de caráter popular: moradia, saúde, mulheres, crianças e adolescentes, negro, comunitário, portadores de necessidades especiais. Observou-se, naquele momento, que a dispersão política – a unitarização das forças políticas populares, que se assemelha à idéia burguesa do cada um por si – mais prejudicava do que contribuía para o fortalecimento das nossas lutas, que no geral tinham, e continuam a ter, muitos pontos em comum. As forças políticas populares chegaram à conclusão de que essa dispersão não conduzia aos caminhos que há anos foram arduamente traçados. Partindo do entendimento de que a luta unitária atende apenas interesses sociais de pouco alcance político, nascia a Central de Movimentos Populares, cuja proposta de caráter aglutinador fez disseminar-se para muitos Estados do nosso país.

A atuação política da Central de Movimentos Populares demonstrou concretamente que a luta por uma sociedade menos desigual, sob todos os aspectos, não se reduz à grandiosa tarefa de destruir o capitalismo e em seu lugar construir o socialismo. Ensinou-nos que as bandeiras de luta do movimento pela diversidade são também a nossa bandeira de luta; que o esforço das pessoas com deficiência pela acessibilidade também faz parte dos nossos objetivos; que a melhoria do Sistema Único de Saúde – sus e seu controle social são igualmente tarefas políticas merecedoras de dedicação; que a destruição inconseqüente e irracional do meio ambiente deve ser objeto de nossas preocupações. Vê-se que a luta por uma nova sociedade  tem quer ser, necessariamente, integrada.

A Central de Movimentos Populares não pretende ser a protagonista desse processo de preparação para a transformação. Quer, sim, fazer parte dele, mas para isso é imprescindível que as forças políticas unam-se fraternalmente. Essa é uma necessidade sem a qual não se pode pensar na transformação social.

 

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